UM CASO EMBLEMÁTICO: ESTUDANTES ROUBAM E MATAM ESTUDANTE
É noite. O jovem estudante volta pra casa pedalando sua bicicleta pela rua sem calçamento e mal iluminada de um bairro da periferia da Grande Belém. Já está prestes a chegar quando é surpreendido na esquina por três ladrões. O alvo é a bicicleta. Um delinqüente segura o veículo por trás e a vítima reluta em entregá-lo. Travam luta corporal e rolam pelo chão. O infrator está levando desvantagem, mas outro vem em seu socorro e atira contra a cabeça da vítima. Os criminosos, em número de três, fogem apressadamente levando a byke. Logo adiante cai a correia e o produto do crime é abandonado. A vítima é socorrida, mas não resiste aos ferimentos e morre. O crime teve testemunhas. Todos os infratores são logo identificados e um criminoso é preso. Nega o crime e atribui o disparo mortal ao irmão menor. Dois são maiores e o terceiro está prestes a completar a maioridade penal. Todos são rapazes, moradores de uma área miserável situada ao lado de um cemitério abandonado, que já tiveram algum envolvimento com a criminalidade. Um deles está em liberdade condicional. Poucos dias depois, o menor é apresentado e, sob orientação do advogado, confirma participação no evento delituoso, mas tenta inocentar o irmão, dizendo que o gatilho foi apertado pelo que está foragido. Comoção e justa revolta na comunidade. Após o sepultamento, parentes, amigos e as gentes da comunidade põem fogo em paus, pneus, etc., e fecham o trânsito de veículos na principal via do bairro. Querem protestar e repercutir o fato pra todo mundo através da mídia. Conseguem o objetivo. Com o propósito claro de gerar impacto na opinião pública e influenciar a comunidade, o Mercado noticiou através de um jornal que os comunitários estão organizando “grupos de justiceiros” para fazer frente à criminalidade que assola o bairro. A vítima é estudante de uma escola pública e dois infratores são alunos de uma escola em regime de convênio, ambas situadas no mesmo bairro. O terceiro é ex-estudante. Surpreso e desestimulado um professor admite ter sido sua a idéia de entrar na invasão para trazer de volta um dos criminosos ao banco escolar. Disse que leu sobre isso num livro de educação e tentou aplicar o ensinamento. Alega que de outro modo o sistema educacional não tem conseguido dar conta de sua missão junto aos jovens. Por isso, preferiu agir ao invés de ficar reclamando.
Em comentário a este texto, um amigo de Brasília, pergunta: onde estamos errando?



