SEUPEDRO

A VIDA NÃO DEVE SER MEDIDA PELA QUANTIDADE DE DIAS QUE RESPIRAMOS, MAS PELOS LUGARES, PESSOAS E MOMENTOS QUE NOS FAZEM PERDER O FÔLEGO (Anônimo)

24 Dezembro 2006

UM CASO EMBLEMÁTICO: ESTUDANTES ROUBAM E MATAM ESTUDANTE


É noite. O jovem estudante volta pra casa pedalando sua bicicleta pela rua sem calçamento e mal iluminada de um bairro da periferia da Grande Belém. Já está prestes a chegar quando é surpreendido na esquina por três ladrões. O alvo é a bicicleta. Um delinqüente segura o veículo por trás e a vítima reluta em entregá-lo. Travam luta corporal e rolam pelo chão. O infrator está levando desvantagem, mas outro vem em seu socorro e atira contra a cabeça da vítima. Os criminosos, em número de três, fogem apressadamente levando a byke. Logo adiante cai a correia e o produto do crime é abandonado. A vítima é socorrida, mas não resiste aos ferimentos e morre. O crime teve testemunhas. Todos os infratores são logo identificados e um criminoso é preso. Nega o crime e atribui o disparo mortal ao irmão menor. Dois são maiores e o terceiro está prestes a completar a maioridade penal. Todos são rapazes, moradores de uma área miserável situada ao lado de um cemitério abandonado, que já tiveram algum envolvimento com a criminalidade. Um deles está em liberdade condicional. Poucos dias depois, o menor é apresentado e, sob orientação do advogado, confirma participação no evento delituoso, mas tenta inocentar o irmão, dizendo que o gatilho foi apertado pelo que está foragido. Comoção e justa revolta na comunidade. Após o sepultamento, parentes, amigos e as gentes da comunidade põem fogo em paus, pneus, etc., e fecham o trânsito de veículos na principal via do bairro. Querem protestar e repercutir o fato pra todo mundo através da mídia. Conseguem o objetivo. Com o propósito claro de gerar impacto na opinião pública e influenciar a comunidade, o Mercado noticiou através de um jornal que os comunitários estão organizando “grupos de justiceiros” para fazer frente à criminalidade que assola o bairro. A vítima é estudante de uma escola pública e dois infratores são alunos de uma escola em regime de convênio, ambas situadas no mesmo bairro. O terceiro é ex-estudante. Surpreso e desestimulado um professor admite ter sido sua a idéia de entrar na invasão para trazer de volta um dos criminosos ao banco escolar. Disse que leu sobre isso num livro de educação e tentou aplicar o ensinamento. Alega que de outro modo o sistema educacional não tem conseguido dar conta de sua missão junto aos jovens. Por isso, preferiu agir ao invés de ficar reclamando.

Em comentário a este texto, um amigo de Brasília, pergunta: onde estamos errando?





20 Dezembro 2006

29 Agosto 2006

DE BELÉM A LA HIGUERA


A leitura do texto de Elaine (1) trouxe-me recordações prazerosas de uma viagem que fiz subindo os Andes, em direção ao coração da América do Sul.


Era o início do terceiro milênio e eu queria vivenciar algo completamente novo no alvorecer destes novos tempos. A paixão por viagens já tinha me levado a conhecer as principais cidades do meu país. Cheguei até a dar um passeio pelos states e, ao passar por cima de Cuba, dei uma olhadinha através da janela do avião, procurando identificar qualquer coisa na Ilha.

Agora eu queria atravessar as terras bolivianas, subir os Andes, e chegar até Machu Picchu, tido como o último refúgio inca na fuga aos invasores europeus.

No retorno, estando em La Paz, aquela que é considerada a capital mais alta do mundo, deu na telha de conhecer uma tal de Ruta de los Combatientes del Che, roteiro turístico que uma agência de viagem havia oferecido em Santa Cruz de La Sierra.

Fui, mas preferi meu próprio roteiro, pois a agência cobrava em dólares e viajar pelo mais indígena dos países da nossa América é muito barato. Apesar de ter um povo empobrecido por séculos de exploração, o país é muito bonito, repleto de paisagens de encher os olhos. A visão do monte Ilimani, com o cume permanentemente coberto de neve, é inesquecível.

Viajamos em quatro - eu, meu irmão Lúcio, uma estudante de Carmel (EUA) e uma professora de Arequipa (Chile). Elas também eram andarilhos dos Andes. A primeira ganhou dos pais três meses de viagem pela América Latina e escolheu conhecer o Peru, onde trabalhou como voluntária num projeto destinado a crianças pobres. Ela juntou-se a nós em Santa Cruz de La Sierra, onde a encontramos esperando ônibus para conhecer o Parque Amboró.

A segunda tinha o hábito de sair pela América do Sul durante as férias escolares, para ir além do conhecimento livresco. Quando a encontramos em Mairana,, também esperando ônibus à margem de uma estrada empoeirada, seu desejo era conferir um prato da culinária vallegrandina feito à base de carne porco.

Partimos de Santa Cruz, seguindo pela antiga carretera que leva a Cochabamba, e percorremos de ônibus os primeiros 120 km até Samaipata (“descanso nas alturas”), cidadezinha muito agradável situada ao pé dos Andes, que serviu de base para várias incursões que fizemos nos arredores, dentre elas ao sítio arqueológico pré-incaico El fuerte - a maior pedra talhada do mundo, com duzentos metros de comprimentos por sessenta de largura, onde as últimas escavações descobriram vestígios de pelo menos cinco culturas. Os guias turísticos dizem que foram povos amazônicos que começaram a esculpir a imensa rocha. O banho nas cascatas de Cuevas, distante poucos quilômetros da cidade, é imperdível.

Na loja de artesanato o velho comunista fez questão de esclarecer que Che não chegou a entrar na cidade, ficou próximo, mas mandou seus homens atrás de comida e algo pra aliviar sua crise de asma, remédio que acabaram esquecendo de comprar devido a pressa.

Em Vallegrande, onde visitamos a tumba del Che, o museu, e a famosa lavanderia, alugamos uma vagoneta dirigida por Juan e seguimos enfrentando os altos e baixos da topografia boliviana até o destino final: La Higuera, o pequeno povoado onde um militar bêbado executou o homem que mais emocionou a consciência mundial do século passado e inspirou a luta política de gerações no mundo todo.

Juan atiçou ainda mais a nossa mente ao comentar que em La Higuera encontraríamos um velho sentado numa calçada, disposto a contar a história dos últimos dias do lendário guerrilheiro.

A respeito dos onze meses da campanha de Che na Bolívia eu já havia lido, pois está quase tudo no seu diário, e não era bem isso o que eu buscava naquele momento. Antes dos fatos históricos interessava-me o mito, a lenda, o que restou do comandante no imaginário das pessoas da região.

Era meio-dia quando chegamos ao lugarejo. Algumas dezenas de humildes casas rodeiam a pracinha onde se vê uma pequena e malfeita estátua do Che. Mais adiante, porém, sobre uma rocha, avista-se um enorme busto do revolucionário construído com base na célebre foto de Alberto Korda.

Mais ao fundo está um posto de saúde (o atendimento é feito por médico cubano), construído no mesmo local da escolinha onde Che foi executado. Nas paredes das casas são vistos desenhos da foto que ainda hoje estampa as camisetas dos jovens pelo mundo afora.

Não havia uma viva alma no local, até que percebemos um homem sentado numa calçada. Não tivemos dúvida. Era o velho. Fomos ao seu encontro, mas vimos que ele não era tão velho assim, pelo menos pra nós.

Após os cumprimentos, Luis Flores convidou-nos a entrar em sua casa pouco iluminada e nos acomodou em bancos rústicos. Sentou-se, apoiou os cotovelos sobre a mesa, pôs as mãos sob o queixo, olhou em volta e esperou pelas perguntas, como se estivesse realizando um ritual tantas vezes repetido.Sua mulher deixara a cozinha e já estava entre nós. Tendo dito que a idade não permitia mais ao marido trabalhar no campo, lembrei das plantações de amendoim e batata que vi no trajeto.

De pele queimada pelo sol, cabelos negros, longos e trançados, ela postou-se em frente a um calendário fixado na parede, onde a consigna orgullosamente boliviana se destacava. No canto superior direito era possível ver o pedaço de uma foto do Che deitado e sem camisa, com os braços estendidos ao lado do corpo - aparentemente já com as mãos decepadas - como se estivesse numa mesa de cirurgia.

Logo veio à mente a lavanderia do hospital Señor de Malta, local que havíamos visitado em Vallegrande, cidade onde o corpo do guerrilheiro ficou exposto antes de ser enterrado clandestinamente às margens da antiga pista de aviação, ali permanecendo por trinta anos.

Perguntamos tudo o que queríamos e os Flores a tudo respondiam. Falaram da ocupação do exército no povoado, do medo que os soldados tinha de Che, e fizeram questão de nos mostrar o local de onde o helicóptero partiu levando o corpo do revolucionário para Vallegrande.

Com meio sorriso a mulher indagou se na estrada tínhamos visto la boina vieja del Che - uma elevação rochosa onde imaginam ver a boina do guerrilheiro, agora desgastada pelo tempo - ilusão que é reforçada ainda mais pela pintura de uma estrela vermelha na pedra.

Os Flores ofereceram-se pra descer conosco até a quebrada onde Che foi preso, e esclareceram que só após a morte do comandante foi que souberam o que ele realmente pretendia em terras bolivianas. Antes, acreditaram cegamente na versão dos vencedores.

Ao final da entrevista perguntei o que eles achavam do Che naquele momento? Que sentimentos nutriam por ele, agora que sabiam de suas verdadeiras intenções? Luis Flores manteve-se pensativo, com as mãos fechadas encobrindo a boca. Nenhuma palavra. A mulher procurou ajudar dizendo que aquele que foi garoto em Alta Gracia agora era considerado santo na região, já tendo sido inclusive elevado à condição de San Ernesto de La Higuera e era destinatário das suplicas dos agricultores por uma boa colheita.

Luis Flores continuou em silêncio, abaixou lentamente a aba do chapéu de feltro, mas nada disse, parecendo até que nós não estávamos mais ali. Decidi, então, fazer a última foto. Contando com o auxílio do flash para romper as sombras, registrei assim a resposta sem palavras nos olhos marejados do contador de histórias de La Higuera.
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(1) Na Casa de Che, da jornalista Elaine Tavares

28 Agosto 2006

A MOSCA AZUL E BARRABÁS

No feriado de 1o. de Maio, ele levantou da cama pensando alto: eu preciso de um livro! Sua companheira olhou e sorriu como se dissesse: tá ficando louco? Ele pensou em ligar para os amigos e pedir uma susgestões de leitura.

Comentou também que a qualquer momento ele poderia ir ao sítio pegar sua cadeira de embalo, pra não prejudicar mais a coluna lendo na cama.
A cadeira continua no sítio. Porém, na quinta-feira, ele comprou uma obra que há um mês havia folheado numa livraria. Trata-se de A Mosca Azul - Reflexões Sobre o Poder, escrita pelo ex-preso politico Frei Beto, que vai buscar desde a resistência armada ao regime militar, passando pela rearticulação dos movimentos sociais, chegando até o governo do ex-operário Lula.

Dessa forma ele voltou a ler não apenas na cama, mas também durante o café, no almoço, no trabalho, nas filas, na privada... A obra é muito boa!

No domingo também comecou a ler o romance Barrabás, escrito por um sueco em 1950. Em 1951, com essa obra, o autor ganhou o Nobel de Literatura. Esse livro ele ganhou de presente do fiIho, que o comprou num sebo. Um verdadeiro achado.

Desde o ano passado a obra estava perdida em meio a papéis no apartamento do centro da cidade. É um mix de realidade e ficção no estilo Dan Brown , centrado na figura do homicida escolhido por judeus fanáticos - manipulados por religiosos da época - para ser libertado em troca da crucificação de um inocente.
Ele pedia também que alguém explicasse porque não conseguia avançar na leitura do Evangelho Segudo Jesus Cristo, do também premiado José Saramago. Essa obra há anos ele tentava ler. Em vão. Desistiu de vez.

A CENA DA SAUDADE

O sol era das dez da manhã, neste início de verão amazônico. Em quatro cadeiras brancas elas se acomodaram debaixo de dois enormes quarda-sóis, trazidos gentilmente pelos funcionários do parque.
(...)

A AVÓ E O NETO

Final da tarde de sexta-feira. Mãe e avó - esta franzina e bem idosa - entram afobadas na unidade policial. Procuram por dois rapazes. Dizem logo que um é menor de idade. Teriam sido presos por policiais fardados. Motivo? Também querem saber. Dizem que souberam tudo através de vizinhos.
(...)

PAI SEPARADO ENCONTRA FILHA NO MUNDO VIRTUAL


Esta foi muito legal. Encontrei a minha filha por acaso no mundo virtual.Foi melhor que encontrá-la, por exemplo, na Praça da República num domingo movimentado. Apesar da desconfiança inicial, vejam o papo que rolou. A vida é bela, apesar de cara!
"Pedro diz:Camila, é vc?
Camila Vianna diz:quem?
Pedro diz:Seu pai.
Pedro diz:cadê o seu irmão Igor?
Pedro diz:Responda
Camila Vianna diz:Pedro da onde?
Pedro diz:Como vc está minha filha?
Camila Vianna diz:pai?
Pedro diz:Sim, sou eu.
Camila Vianna diz:mentiraaa!!!!!!!
Camila Vianna diz:é meuu paii??
Pedro diz:sim, o dompedro2
Camila Vianna diz:tah, então quando é meu aniversario "pai"?
Pedro diz:Recebi a poesia que vc me mandou. Seu aniversário é dia 27 de nov
Camila Vianna diz: tah, em que maternidade eu nasci?
Pedro diz:Onde vc está agora? vc. vai viajar nestas ferias?Camila Vianna diz:vouu, sim. responde, bora ver se é meu pai mesmo!
Pedro diz: foi na maternidad da Beneficiente Portuguesa.
Pedro diz:Pra onde vc vai ?
Camila Vianna diz:e a ultima, qual é o restaurante onde a gente sempre come ??
Pedro diz:Por falar no restaurante, já é tempo de mudar, não acha?.
Camila Vianna diz:sim "pai" qual é??
Pedro diz:Olha só, pra não ter nenhuma dúvida quero lhe dizer que o Gabriel faz três anos no dia 17 de julho.
Que tal agora?
Camila Vianna diz:sim, mas qual é o restaurante???
Pedro diz:É o Hakata, menina.
Camila Vianna diz:ahhhhhhhh é o meuuu poii
Camila Vianna diz:paii eu não sabia q esse msn era teu, olha
Camila Vianna diz:tu sempre tah online e eu nunca falo pq n sabia q tu era tu
Camila Vianna diz:eu ate desconfiei
Pedro diz:qual é o msn que aparece ai?
Camila Vianna diz:mais n sabia nãoo
Camila Vianna diz:dompedro2
Pedro diz:eu sei que vc desconfiou, mas foi uma ótima surpresa, não acha?
Camila Vianna diz:huehwquehwuheiwhe foi
Camila Vianna diz:\o
Camila Vianna diz:
Pedro diz:Camilla Vianna só tem uma, que é vc, minha linda. Um beijo pra vc. Cadê o seu irmão?
Camila Vianna diz:pai eu n sei, ele saiu pra algum lugar
Camila Vianna diz:q eu sei
Pedro diz:E essa foto à direita é sua?
Camila Vianna diz:é sim
Pedro diz:Vc tem webcan? eu estou no Lider 24, na Br. vim fazer um a compra.
Camila Vianna diz:tem várias
Camila Vianna diz:não pai eu tinha mais quebrou
Pedro diz:Gostei mais dessa outra foto. Mostre mais...
Pedro diz:cadê as outras fotos?Camila Vianna diz:ta ak paii
Camila Vianna diz:vai vendoo...
Camila Vianna diz:
Pedro diz:vc tem fone de ouvido?
Pedro diz:Essa foto tá mais linda ainda...
Camila Vianna diz:tenho!
Camila Vianna diz:
Camila Vianna diz:
Pedro diz:Mande essas fotos por e-mail, pois eu quero renovar aqueles três quadros que vc me deu no dia dos pais.
Camila Vianna diz:ah não pai deixa q eu faço outro então
Pedro diz:No terceiro quadro vou colocar uma foto do Gabriel.
Pedro diz:Legal, faça outro, mas deixe um espaço pra foto do Gabriel.
Camila Vianna diz:tah
Pedro diz:Vc recebeu a foto do Gabriel que mandei outro dia?Pedro diz:Minha filha, vou fazer minha compra. Um beijão pra vc. Gostei de bater esse papo. Tchau
Camila Vianna diz:tah Beijos paii
Camila Vianna diz:=**
Pedro diz:Beijo. fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiifilha.
Camila Vianna diz:=*******
Pedro diz:Tchau. Precisamos comprar um webcam....
Camila Vianna diz:heuwehwuhuehwhe, verdade!?
Pedro diz:Só entendi verdade. O início está impossível de ler.
Camila Vianna diz:era risadas pai
Camila Vianna diz:(heuwhewuhewuehw)
Pedro diz:Legal. Só se for risada em japonês...
Camila Vianna diz:huehwueihwuiehuqwheiqhwuih
Pedro envia um wink:Reproduzir "Beijo"
Pedro diz:Um beijo
Camila Vianna diz:=***
Pedro diz:Será que esse bichinho quer dizer tchau?
Camila Vianna diz:não pai isso é aniversario
Camila Vianna diz:huehuiehuwih
Pedro diz:
Camila Vianna diz:é assim
Camila Vianna diz:axo q n tem ai
Pedro diz:mas parece que ele está colocando a língua
Camila Vianna diz:lingua
Camila Vianna diz:
Camila Vianna diz:
Camila Vianna diz:
Pedro diz:Cliquei onde não devia
CamilaVianna diz:huwiehquwhduqhduhwduhduqhdwhdiuhdquidh
Camila Vianna diz:
Camila Vianna envia um wink:Reproduzir "Reverência"
Pedro diz:Tchau filha
Camila Vianna diz:paii
Camila Vianna diz:=*
Pedro diz:Legal, gostei do azulzinho...
Camila Vianna diz:heuiqwheuwiqheuwheuiweh
Pedro diz:vou bater assas
Camila Vianna diz:wheuqwheuwqhewuheuwehwuh
Pedro diz:agora é tchau mesmo. Um beijo.
Camila Vianna diz:
Camila Vianna diz:=*
Pedro diz:um beijo minha filha
Pedro diz:Vc não respondeu se recebeu a foto do Gabriel...
Camila Vianna diz:ahh sim, n pai eu n recebi
Pedro diz:Fuuuuuuuuuuuuuuuuuuii
Camila Vianna diz:=*******"
As imagens trocadas não foram reproduzidas. Que coisa incrível! Outro dia acabo encontrando meu pai. Por que não? A Camila encontrou o dela.O mais difícil foi dizer adeus.

AS TENTAÇÕES DO ARCEBISPO

Depois que eu vi o filme fiquei curioso em saber o que a Igreja local teria a dizer sobre "O Código da Vinci". Na mídia comercial nada encontrei. Andando pelo corredor de um shopping dei de cara com um publicação da Universidade da Amazônia, que traz uma entrevista com o chefe da Igreja Católica de Belém, o paulista Dom Orani João Tempesta.
No final da entrevista o semanário perguntou:

- "O senhor assistiu ao filme ou leu o livro O Código da Vinci?"
- "D. Orani- Não... eu tive muitas tentações em comprar o livro e ler, mas por convicção não comprei. Eu acho que não devia dar dinheiro ou prestígio para uma confusão que estava criando o livro. O filme eu também não vi e nem pretendo ver. Acontece que a Igreja Católica vem sofrendo ataques de todas as formas e "O Código da Vinci" é um deles. Refugiado em um tema de ficção, faz um monte de ataques, invencionices, e para as pessoas menos avisadas e, infelizmente, até pessoas de bom nível intelectual, acabam acreditando que aquela ficção seja verdade. E, claro, a polêmica que desperta ajuda a vender mais livros e a ter um público grande no cinema".

Vi o filme e achei uma ótima história, um mix de ficção e realidade. O Igor leu o livro e viu o filme. Comentou que o livro é melhor. Moisés lia o livro em abril e estava achando ótimo. Dean viu o filme e gostou muito. Orani João Tempesta não leu o livro, não viu o filme, faz questão de dizer que não pretende vê-lo, mas acha tudo invencionices.
Pode? É no mínimo cômico. Não leu o livro, teve apenas tentações de comprá-lo, não viu o filme e nem pretende vê-lo, mas ... Só perde pro samba do crioulo doido.
Um dos grandes méritos do filme foi trazer a informação sobre o Concílio de Nicéia, onde o Estado romano, representado pelo Imperador Constantino, inicia o processo de domesticação dos cristãos, tornando o cristianismo a religião oficial do Império. Ao contrário do que disse Orani, isto não é invencionice, é fato histórico.
O outro dado importante foi a referência ao O Martelo das Bruxas (Malleus Maleficarum), obra que já foi descrita como “o mais terrível livro da história da humanidade”. Por que? Porque contem as instruções detalhadas de como torturar pessoas acusadas de bruxaria, a fim de fazê-las confessar seus supostos crimes; além estabelecer as formalidades para a execução, que consistia em queimar vivos os condenados, notadamente mulheres. Ao contrário do que disse Orani, isto também não é invencionice, é novamente fato histórico.
A obra, por sinal, está nas livrarias e também pode ser comprada pela internet. O Malleus Maleficarium (também traduzido como “Martelo das Feiticeiras”) era o manual operacional da Santa Inquisição, onde as mulheres eram especialmente visadas e perseguidas como prováveis bruxas. Em 5 de dezembro de 1484, o papa Inocêncio III emitiu a bula papal que estabeleceu esse documento como o padrão pelo qual a Inquisição deveria ser conduzida. O livro atravessou os séculos e está hoje nas livrarias. É a mais terrível invencionice da história da humanidade.
Por que será que o representante do Papa em Belém fugiu do “Código da Vinci”? Será que ele compraria O Martelo das Feiticeiras?
Dica de leitura: O Martelo das Feiticeiras (MalleusMaleficarum), Heinrich Kramer e James Sprenger, Editora Rosa dos Tempos, tradução de Maria Lopes José da Silva.

POR QUÊ VIAJAMOS?

Muitas são as resposta para esta pergunta, é verdade. Mas cada um tem a sua. A ciência nos ensina que estamos viajando no espaço sideral e isto ninguém mais questiona. De onde e pra onde é que são elas.

Todos os caminhos levam a Roma, mas cada dia o engarrafamento é pior, já dizia Millôr Fernandes.
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